Política

Ministros realizam diligências em aldeias de MS e ouvem indígenas sobre onda de violência

 Por Brasil de Fato   Uma comitiva interministerial do governo federal desembarcou em Mato Grosso do Sul neste sábado (31) para apurar uma onda de agressões, ameaças e violações de direitos humanos registradas contra comunidades indígenas após o segundo turno das eleições. A missão foi enviada por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva...

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Uma comitiva interministerial do governo federal desembarcou em Mato Grosso do Sul neste sábado (31) para apurar uma onda de agressões, ameaças e violações de direitos humanos registradas contra comunidades indígenas após o segundo turno das eleições. A missão foi enviada por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pediu que representantes do governo fossem pessoalmente às comunidades.

A comitiva reúne o ministro dos Povos Indígenas (MPI), Eloy Terena, o ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Wellington César Lima e Silva, e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello. Também participam as deputadas federais Sônia Guajajara (Psol-SP) e Célia Xakriabá (Psol-MG), além de outros parlamentares de Mato Grosso do Sul.

“Essa força-tarefa que foi criada pelo Ministério da Defesa dos Direitos Humanos para a gente apurar a veracidade de todos os fatos e trazer concretude, investigação e penalidade para qualquer tipo de crime que estiver acontecendo no Mato Grosso”, disse Guajajara, ex-ministra dos Povos Indígenas.

O grupo chegou ao estado na noite de sexta-feira (30) e dormiu em Dourados. Na manhã deste sábado, os integrantes da missão saíram da cidade de helicóptero às 8h36 e chegaram, por volta das 9h20, à aldeia Taquaperi, em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai. A reserva, de cerca de 2 mil hectares, abriga mais de 3,3 mil indígenas do povo Guarani Kaiowá e foi demarcada em 1928 pelo antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), segundo o Instituto Socioambiental (ISA).

“O compromisso do presidente Lula, do nosso governo, é garantir que todos esses atos de violência sejam apurados e investigados, que a gente consiga identificar as pessoas que participaram desses atos e garantir que elas sejam punidas”, afirmou Janine Mello antes do embarque.

O roteiro da comitiva prevê ainda uma entrevista coletiva em Dourados e, à tarde, a partir das 14h30, uma visita à aldeia Sassoró, em Tacuru. Enquanto os ministros dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos visitam as comunidades, o ministro da Justiça tem uma reunião de trabalho com representantes das forças de segurança.

Ameaça de envenenamento

A visita à aldeia Sassoró ocorre depois da divulgação de áudios atribuídos a dois servidores da prefeitura de Tacuru, em que um deles sugere colocar veneno na água consumida pelos indígenas. As gravações circularam nas redes sociais após o resultado do segundo turno. Em um dos trechos, um dos homens diz: “Tem que matar essas pragas na água”.

A prefeitura confirmou que os dois são funcionários municipais. Um deles trabalha como motorista de caminhão-caçamba, na Secretaria de Infraestrutura, e o outro na coleta de resíduos, ligada à área de Meio Ambiente. Ambos foram afastados das funções e respondem a processos administrativos disciplinares. Os nomes não foram divulgados oficialmente.

Segundo o cacique da aldeia Sassoró, Ivan Montiel, cerca de 98% das casas da comunidade têm água encanada, abastecida por poços artesianos, o que aumentou a preocupação dos moradores. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), perícias preliminares não constataram a contaminação dos poços, e os áudios e as ameaças seguem sob investigação da Polícia Federal (PF). O caso também é acompanhado pela Defensoria Pública da União (DPU). Em outra apuração, sobre denúncias de mortes na região, o MPF não encontrou elementos que confirmassem que as vítimas eram indígenas.

‘Violência orquestrada’

Para a deputada Célia Xakriabá, a escalada de hostilidades nos territórios não é um fato isolado, mas uma ação orquestrada de retaliação política contra os povos originários pela mobilização durante a eleição. “Toda essa violência não é pontual, ela não é centralizada, ela não é localizada, ela é orquestrada. Uma violência que encoraja outras pessoas a cometerem os mesmos atos”, afirmou a parlamentar. Célia apontou que o acirramento dos conflitos em Mato Grosso do Sul se intensificou após a aprovação da lei do marco temporal e conta com o estímulo de discursos da bancada ruralista.

Os casos sob investigação da PF e do MPF incluem episódios graves ocorridos nos últimos dias em aldeias Guarani Kaiowá. Na quinta-feira (29), a casa de reza da liderança espiritual Ñandesy Roberta, de 90 anos, foi destruída por um incêndio criminoso na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru.

Força-tarefa

A força-tarefa atua em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para garantir a segurança nos territórios e identificar os agressores. A Força Nacional de Segurança Pública, cujo efetivo na região já vinha sendo cobrado por lideranças indígenas diante da escalada de conflitos, também atua nos territórios.

O governo federal orientou as comunidades a recorrerem a canais oficiais de denúncia, como o Disque 100, a plataforma Fala.BR e a Ouvidoria do MPI, e reforçou o combate à desinformação, que amplia a intimidação nas aldeias. Os ministérios reiteraram que a presença do Estado continuará até a apuração total dos crimes e a pacificação da região.





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Redação A Notícia 24H.