“Depois de um período em que teve dificuldades para transmitir a mensagem, a Microsoft passou a explicar de forma mais clara e objetiva como vai monetizar os investimentos e beneficiar os clientes”, disse Chad Morganlander, gestor sênior da Washington Crossing Advisors e detentor de longa data da ação.
Boa parte da alta ocorreu depois da divulgação dos balanços da Microsoft no fim de julho, que mostraram o crescimento mais rápido da computação em nuvem em quatro anos, impulsionado pela forte demanda por IA. As ações saltaram 16% no dia seguinte, a melhor sessão desde outubro de 2008, e acrescentaram US$ 450 bilhões em valor de mercado.
O balanço reduziu as preocupações sobre a capacidade dos grandes investimentos da Microsoft em IA de gerar crescimento mais forte, o que é relevante porque a empresa tem um perfil financeiro mais favorável que o de outras grandes companhias que também gastam fortemente, como Alphabet, Amazon.com e Meta. Entre as quatro, a Microsoft é a única que não registrou fluxo de caixa livre negativo em base anual.
“A companhia está mostrando um caminho claro para a rentabilidade com IA”, disse Morganlander. “Como está investindo sem entrar no vermelho por causa disso, parece ser a mais madura do grupo.”
Jogo virou
O rali da Microsoft chama atenção especialmente pela rapidez da reversão do sentimento. Junho foi o pior mês para as ações desde 2000, com investidores questionando os gastos da empresa e as perspectivas para o setor de software em um mundo dominado pela IA. Mas as preocupações com o setor diminuíram, e investidores receberam de forma positiva o esforço da companhia para transformar o assistente de IA Copilot em um produto voltado a clientes corporativos.
“Ainda há receios de um ‘apocalipse do SaaS’, mas a Microsoft parece menos vulnerável a esses problemas”, disse Morganlander. “Ao mesmo tempo, as pessoas estão impressionadas com a adoção e a integração do Copilot.”
Mesmo com o avanço do trimestre, que levou as ações da Microsoft a acumular alta no ano, o ganho de 7,5% fica significativamente abaixo da valorização de 21% do Nasdaq 100.
“As ações dispararam neste trimestre porque as pessoas cometeram um erro”, disse JoAnne Feeney, gestora da Advisors Capital Management, que possui ações da Microsoft. “Os investidores perceberam que haviam interpretado mal o potencial da empresa, então boa parte da alta é simplesmente a correção desse erro.”
Mesmo assim, o aumento do otimismo transformou a Microsoft em uma das favoritas de Wall Street. Dos 72 analistas acompanhados pela Bloomberg que cobrem a empresa, apenas três não recomendam compra e nenhum recomenda venda. E o preço-alvo médio das ações indica potencial de alta de cerca de 10% nos próximos 12 meses.
Na semana passada, a Stifel elevou a recomendação para compra porque a Microsoft “claramente deixou para trás o pior momento”, segundo o analista Brad Reback. O impulso das ações deve continuar no segundo semestre, escreveu, acrescentando estar “cada vez mais confortável com a capacidade da empresa de sustentar crescimento da receita na faixa intermediária a alta dos dois dígitos”.
O que esperar?
As ações da Microsoft podem gerar retorno total de aproximadamente 20% no próximo ano, segundo Adam Wood, do Morgan Stanley, que citou o potencial de crescimento de longo prazo e a recente decisão da empresa de aumentar seus dividendos.
A receita da Microsoft deve crescer 18% no ano fiscal de 2027, que termina no fim de junho, praticamente em linha com o ano fiscal de 2026. Wall Street espera que o crescimento chegue a 21% no ano fiscal de 2029. E, embora o lucro por ação deva aumentar cerca de 11% neste ano fiscal, abaixo dos quase 32% do ano fiscal de 2026, a projeção é de avanço de quase 19% no ano fiscal de 2028 e de 21% em 2029.
As ações estão longe de ser baratas, negociadas a quase 25 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, mas está abaixo da média de 27 vezes dos últimos dez anos. Entre as maiores empresas de tecnologia do mercado, apenas a Apple é mais cara.
“Algumas pessoas querem ver maior adoção do Copilot ou mais recursos no Copilot”, disse Feeney. “Mas o ritmo de adoção continua acelerando, e alguns dos anúncios recentes foram positivos, como vimos na semana passada. Porém, a empresa precisa continuar entregando resultados.”
