O mercado reagiu à vitória inesperada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo. A reversão das expectativas provocou fortes ajustes nos ativos, em meio às perspectivas de maior risco fiscal e juros mais altos por mais tempo.
No mês, o Ibovespa recuou 9,88%, a maior queda mensal desde junho de 2022. O índice saiu dos 186.340 pontos no fim de setembro, chegou a fechar acima de 209 mil na expectativa de alternância de poder e ajuste fiscal, e voltou aos 167 mil. No ano, ainda acumula alta de 4,22%.
Já o dólar saltou mais de 8% na segunda, depois de chegar a passar dos R$ 5,60 na máxima do dia. Em outubro, acumula valorização de 5,2%, enquanto, no ano, ainda opere praticamente no zero a zero.
Os juros futuros também dispararam. O DI para janeiro de 2028 fechou a 14,48% ao ano, com alta de 159 pontos-base na semana. Nos vencimentos mais longos, a alta foi maior: 249 pontos-base nos contratos para janeiro de 2030 e janeiro de 2035, que fecharam a 15,14% e 15,25%, respectivamente.
Para os próximos meses, as projeções para o Ibovespa divergem, mas quase todas apontam pressão no curto prazo, segundo relatórios divulgados nesta semana. O JPMorgan previa queda de cerca de 20%, para perto dos 170 mil pontos, nível que o índice já superou. O BTG vê o índice nesse patamar e, sem novidades, espaço para mais 10% de ajuste em dólares (ou seja, já considerando o câmbio), ou uma fase lateral até o governo detalhar o que fará no fiscal.
O Morgan Stanley é o mais duro: estima 130 mil pontos até meados de 2027, o que representaria nova queda de cerca de 23% sobre o fechamento desta sexta. O Goldman afirma que o que vale são os sinais das próximas semanas, como a escolha do ministro da Fazenda e o ajuste do Orçamento de 2027.
O lado positivo está nos preços: o índice negocia a cerca de 7,7 a 7,9 vezes o lucro projetado, abaixo da média de 10 vezes da última década, e o Itaú BBA projeta retorno total de 25% ao ano em três anos, se o ambiente se estabilizar.
No câmbio, bancos e corretoras veem o dólar acima de R$ 5,30 nos próximos meses, e os bancos americanos citam R$ 5,50 a R$ 5,60 nas próximas semanas.
O Morgan Stanley admite R$ 6 se o mercado passar a ver risco de dominância fiscal, quando o risco fiscal é tão alto que a política monetária perde eficácia. No cenário mais benigno, com equipe econômica bem recebida e medidas de contenção de gastos, a cotação pode cair abaixo de R$ 5,30.
A próxima semana traz os primeiros testes. Na terça (3), os Estados Unidos têm eleições de meio de mandato; na quarta (4), o Copom decide a Selic, hoje em 13,75%. Até lá, o que o mercado mais espera é saber quem será o ministro da Fazenda e que sinal o governo dará sobre as contas.
