Economia

Guerra no Irã faz aluguel de superpetroleiros subir mais de seis vezes em nove meses

O conflito entre Estados Unidos e Irã e a consequente instabilidade no Estreito de Ormuz produziu um paradoxo no mercado de petróleo: há menos óleo saindo da região, mas os navios usados para transportá-lo nunca foram tão disputados.  A diária média para contratar um superpetroleiro no mercado à vista chegou a cerca de US$ 650...

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O conflito entre Estados Unidos e Irã e a consequente instabilidade no Estreito de Ormuz produziu um paradoxo no mercado de petróleo: há menos óleo saindo da região, mas os navios usados para transportá-lo nunca foram tão disputados. 

A diária média para contratar um superpetroleiro no mercado à vista chegou a cerca de US$ 650 mil, mais de seis vezes o valor de janeiro. Alguns dos poucos navios que cruzam o Estreito de Ormuz recebem mais de US$ 1 milhão por dia, segundo reportagem publicada nesta semana pela The Economist.

O problema é o tempo que cada viagem consome. Para evitar que embarcações de diferentes proprietários atravessem Ormuz, petroleiros do Golfo fazem trajetos curtos pelo estreito e transferem a carga para outros navios ancorados perto de Omã. 

A operação mantém parte do petróleo em movimento, mas exige duas embarcações para cumprir etapas que antes cabiam a uma. A transferência pode levar de dois a três dias. De acordo com a revista, cerca de 15% da frota mundial de superpetroleiros está concentrada na região de Omã.

Esses navios, conhecidos como VLCCs, transportam aproximadamente 2 milhões de barris cada. Quando ficam presos a viagens curtas e à espera de carga, deixam de atender outras rotas. 

A alternativa pelo oeste da Arábia Saudita também enfrenta dificuldades: a ameaça dos houthis no mar Vermelho alonga trajetos, e um ataque de drone interrompeu recentemente o oleoduto que leva petróleo ao porto saudita de Yanbu.

O aperto se espalha em cadeia. Se não há um VLCC disponível para levar uma carga do Brasil à China, por exemplo, podem ser necessários dois petroleiros menores, da classe Suezmax, para fazer o serviço.

Isso aumenta a procura por esses navios e pressiona suas tarifas, explica a Economist. É assim que um gargalo no Oriente Médio pode encarecer o transporte de petróleo embarcado do outro lado do mundo.

A rota para a China importa especialmente para o Brasil. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China, as exportações brasileiras de petróleo ao país asiático somaram US$ 7,19 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. 

O frete mais caro não significa, por si só, que produtores brasileiros perderão receita: o efeito para cada empresa depende de quem paga pelo navio e do preço negociado pela carga. Mas ele eleva o custo de fazer o petróleo chegar ao comprador.

Para os donos de petroleiros, o momento abriu uma oportunidade. A trading Trafigura anunciou nesta semana a criação da Volare Shipping, com seis superpetroleiros em operação e outros oito encomendados.

A empresa estuda captar cerca de US$ 500 milhões com investidores antes de uma possível listagem em Oslo, para financiar o crescimento da frota. É uma aposta de que a demanda por navios seguirá forte; a captação e a estreia na bolsa ainda não foram concluídas.



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Redação A Notícia 24H.