O problema é o tempo que cada viagem consome. Para evitar que embarcações de diferentes proprietários atravessem Ormuz, petroleiros do Golfo fazem trajetos curtos pelo estreito e transferem a carga para outros navios ancorados perto de Omã.
A operação mantém parte do petróleo em movimento, mas exige duas embarcações para cumprir etapas que antes cabiam a uma. A transferência pode levar de dois a três dias. De acordo com a revista, cerca de 15% da frota mundial de superpetroleiros está concentrada na região de Omã.
Esses navios, conhecidos como VLCCs, transportam aproximadamente 2 milhões de barris cada. Quando ficam presos a viagens curtas e à espera de carga, deixam de atender outras rotas.
A alternativa pelo oeste da Arábia Saudita também enfrenta dificuldades: a ameaça dos houthis no mar Vermelho alonga trajetos, e um ataque de drone interrompeu recentemente o oleoduto que leva petróleo ao porto saudita de Yanbu.
O aperto se espalha em cadeia. Se não há um VLCC disponível para levar uma carga do Brasil à China, por exemplo, podem ser necessários dois petroleiros menores, da classe Suezmax, para fazer o serviço.
Isso aumenta a procura por esses navios e pressiona suas tarifas, explica a Economist. É assim que um gargalo no Oriente Médio pode encarecer o transporte de petróleo embarcado do outro lado do mundo.
A rota para a China importa especialmente para o Brasil. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China, as exportações brasileiras de petróleo ao país asiático somaram US$ 7,19 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026.
O frete mais caro não significa, por si só, que produtores brasileiros perderão receita: o efeito para cada empresa depende de quem paga pelo navio e do preço negociado pela carga. Mas ele eleva o custo de fazer o petróleo chegar ao comprador.
Para os donos de petroleiros, o momento abriu uma oportunidade. A trading Trafigura anunciou nesta semana a criação da Volare Shipping, com seis superpetroleiros em operação e outros oito encomendados.
A empresa estuda captar cerca de US$ 500 milhões com investidores antes de uma possível listagem em Oslo, para financiar o crescimento da frota. É uma aposta de que a demanda por navios seguirá forte; a captação e a estreia na bolsa ainda não foram concluídas.
