Política

Fim das eleições deve destravar investigações sobre emendas e caso Dark Horse no STF

Por Cleber Lourenço O fim das eleições presidenciais de 2026 gerou a expectativa de que avancem as investigações sobre suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares, incluindo o caso Dark Horse, que apura o possível uso de dinheiro público na produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Ao ICL Notícias, auxiliares do ministro Flávio...

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Por Cleber Lourenço

O fim das eleições presidenciais de 2026 gerou a expectativa de que avancem as investigações sobre suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares, incluindo o caso Dark Horse, que apura o possível uso de dinheiro público na produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Ao ICL Notícias, auxiliares do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmam que a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) passaram os últimos meses aguardando o encerramento da disputa eleitoral para dar continuidade às apurações.

“PF e PGR passaram meses paradas, aguardando o fim desse imbróglio. Agora que as coisas serão retomadas”, afirmou um auxiliar, em referência ao período eleitoral.

A avaliação é de que o resultado do segundo turno, realizado neste domingo (25), permita o avanço de procedimentos que ficaram pendentes durante a campanha. A fonte não especificou quais diligências foram adiadas nem se já existem novas medidas programadas.

Dino conduz uma série de processos relacionados à fiscalização das emendas parlamentares, incluindo a investigação sobre o possível desvio de recursos destinados pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) a entidades ligadas à produção de Dark Horse.

Investigação sobre Dark Horse

Em 10 de setembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, autorizada por Dino, para investigar suspeitas de desvio de emendas parlamentares. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da Federação, incluindo endereços ligados a Frias e à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment.

A investigação examina a destinação de R$ 2 milhões em emendas indicadas por Frias ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. Os recursos deveriam financiar projetos sociais, mas movimentações financeiras identificadas pela PF levantaram suspeitas sobre a aplicação do dinheiro.

Entre as operações analisadas está uma transferência de R$ 750 mil à produtora de Dark Horse, realizada por uma empresa ligada a fornecedores do instituto. Os investigadores identificaram coincidências de valores e datas, mas ainda não comprovaram que os recursos destinados ao filme tenham origem nas emendas parlamentares.

Frias nega irregularidades e afirma que o dinheiro foi destinado a projetos sociais.

Após a operação, Dino determinou o compartilhamento de materiais apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em outra investigação envolvendo a produtora, ampliando o conjunto de documentos disponíveis à PF.

O caso também possui uma frente paralela no Supremo. O ministro André Mendonça conduz uma investigação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e suspeitas relacionadas ao financiamento do filme por meio de recursos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Flávio nega irregularidades e sustenta que as negociações envolveram recursos privados. Sua defesa chegou a solicitar que a investigação sobre as emendas fosse transferida para Mendonça, sob o argumento de que os procedimentos deveriam tramitar conjuntamente.

Outro possível desdobramento envolve Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina. Na última quinta-feira (22), que procurou a PGR para discutir uma colaboração premiada. Sua defesa reconheceu essa possibilidade, mas afirmou que seria precipitado tratar o acordo como uma negociação já estabelecida.

Fiscalização das emendas

A atuação de Dino vai além do caso Dark Horse. Em agosto, o ministro encaminhou à Polícia Federal um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontou possíveis irregularidades envolvendo R$ 55,4 milhões em transferências realizadas entre 2020 e 2024.

No mesmo mês, determinou a nulidade de indicações de emendas feitas por dirigentes partidários sem mandato parlamentar e ex-congressistas, buscando impedir a interferência de pessoas sem mandato na distribuição desses recursos.

Em setembro, Dino também estabeleceu que governo federal e Congresso apresentem, até 30 de novembro, uma proposta para identificar e acompanhar o dinheiro das emendas desde sua indicação até a aplicação final.

As decisões mostram que houve movimentações judiciais e policiais durante o período eleitoral. A afirmação da fonte sobre a paralisação das apurações, portanto, não significa que todos os procedimentos tenham sido interrompidos.

Com a disputa presidencial encerrada, a expectativa relatada ao ICL Notícias é de que PF e PGR voltem a impulsionar as investigações. Ainda não há confirmação de novas operações ou decisões programadas pelo Supremo.





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Redação A Notícia 24H.