Em comunicado, o Fed afirmou que a inflação continua elevada e que novas informações ajudarão a determinar a política necessária para levar o indicador à meta de 2%.
A decisão teve dois votos contrários entre os 12 integrantes com direito a voto. A diretora Lisa Cook e Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros.
A divergência reflete o debate dentro do banco central sobre a necessidade de elevar os juros para conter a pressão sobre os preços. A inflação permanece acima da meta de 2% há mais de cinco anos, e os sinais recentes indicam que a alta dos preços ganhou força desde a reunião de setembro.
Nas últimas semanas, porém, dirigentes do Fed defenderam cautela e a necessidade de aguardar novos dados antes de apertar ainda mais a política monetária.
Inflação e crescimento no radar
A decisão ocorre em um cenário de inflação resistente e atividade econômica aquecida. A inflação medida pelo indicador preferido do Fed deve ficar acima de 3% em setembro, mesmo quando são excluídos os preços de alimentos e energia.
Economistas também demonstram preocupação com a disseminação das pressões inflacionárias para além do setor de energia e dos efeitos da guerra no Irã.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho continua relativamente forte e o crescimento econômico permanece robusto.
A combinação de crescimento forte e inflação persistente levanta dúvidas sobre o quanto os juros atuais estão restringindo a atividade econômica e se o banco central precisará elevar a taxa de forma mais agressiva caso os preços não desacelerem.
Mercado acompanha próximos passos
Os contratos futuros de juros indicam a possibilidade de um novo aumento na reunião de dezembro, além de uma ou duas altas adicionais em 2027.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, deveria comentar a decisão em entrevista coletiva nesta quarta-feira. Investidores aguardavam indicações sobre a trajetória dos juros nos próximos meses.
O cenário também é acompanhado em meio à proximidade das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. A votação definirá o controle do Congresso americano.
O presidente Donald Trump, que indicou Warsh para o cargo, defende juros mais baixos e mantém divergências com o banco central sobre a condução da política monetária. A independência do Fed é considerada um princípio central da instituição.
