Um dos acordos que agora passa por revisão é a potencial venda de parte de sua participação na operadora logística Rumo SA, revelaram as fontes.
Algumas das propostas recebidas pela fatia na Rumo embutiam um valuation (avaliação) cerca de 30% abaixo do atual valor de mercado da companhia, acrescentaram.
Procurada, a Cosan não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Mercados eufóricos
Os ativos brasileiros registraram forte alta nesta semana, na esteira de um primeiro turno presidencial que colocou Bolsonaro surpreendentemente à frente do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
Bolsonaro é visto por investidores e parte do empresariado como um nome mais inclinado a enfrentar as questões fiscais, o que, em última instância, abriria espaço para a queda das taxas de juros.
A Cosan — cujos negócios se estendem por açúcar, lubrificantes, distribuição de combustíveis, transporte ferroviário e fornecimento de gás natural residencial — vinha buscando alternativas para melhorar sua alavancagem enquanto lidava com a alta taxa de juros na maior economia da América Latina.
No último ano, a companhia adotou uma série de medidas para fortalecer o seu balanço, incluindo a venda de propriedades rurais e a abertura de capital (IPO) de sua unidade de gás, a Compass Gás e Energia SA.
Ações da Cosan subiram 24%
O Ibovespa, principal índice acionário do Brasil, acumula alta de 6,9%, enquanto a moeda brasileira se valorizou 4,8% frente ao dólar nesta semana.
O otimismo reflete a expectativa dos investidores de que o país terá melhores chances de conter seu crescente déficit sob um governo Bolsonaro, ainda que o candidato não tenha apresentado um plano econômico detalhado para isso.
As ações da Cosan dispararam 24% nesta semana, registrando a terceira maior alta entre os 76 papéis que compõem o Ibovespa.
A mudança de humor do mercado pós-primeiro turno deve ajudar a empresa a estabelecer termos mais favoráveis para os negócios que já estão na mesa, disse uma das fontes.
Desinvestimentos sob revisão
Em junho, a Cosan informou ter contratado o banco BTG Pactual SA como assessor financeiro para avaliar potenciais alternativas envolvendo sua fatia na Rumo.
Entre os outros desinvestimentos sob revisão estão uma oferta adicional de ações (follow-on) pela Compass e a alienação de uma participação na fabricante de lubrificantes Moove, anteriormente conhecida como Cosan Lubrificantes e Especialidades SA.
Uma transação envolvendo a Moove poderia ocorrer tanto via mercado de capitais quanto no âmbito privado, afirmaram as fontes.
A reavaliação nas vendas de ativos também reflete uma melhora na posição financeira da Cosan após uma injeção de capital de R$ 10 bilhões (cerca de US$ 2 bilhões) ancorada pela BTG Pactual Holding e pelo fundo Perfin Infra no final do ano passado.
Com o endividamento da holding significativamente menor, a Cosan sofre menos pressão para anunciar novos desinvestimentos neste ano e pode ser mais seletiva quanto ao timing e aos valores de qualquer transação, afirmou uma das fontes.
O conglomerado também tem cortado custos, o que incluiu o enxugamento de cerca de 100 postos de trabalho, de acordo com essa mesma fonte.
