“Os chineses não querem continuar a acumular dívidas — existem questões geopolíticas, bem como questões econômicas”, disse ele. “Quando você tem uma relação devedor-credor e uma relação de adversários, essa é uma dinâmica muito difícil.”
Ele acrescentou que o Japão emprestou “muito dinheiro” que o país agora quer reaver.
Crise de dívida pela frente?
Os comentários foram feitos depois que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tentou tranquilizar os investidores ao afirmar que uma combinação de crescimento econômico e contenção de gastos começará “muito rapidamente” a mudar a trajetória do endividamento do governo dos EUA.
Bessent, durante uma conversa na Pensilvânia na noite de segunda-feira, disse que o governo começaria a “inverter a curva”.
As declarações de Dalio indicam que o secretário do Tesouro ainda tem um longo caminho a percorrer para convencer investidores.
O fundador da Bridgewater reiterou o alerta de que os EUA podem enfrentar uma crise da dívida dentro de três anos e argumentou que alguns tomadores de crédito já começam a sentir o aperto.
Os títulos de dívida ampliaram nesta semana a queda de preços que já dura meses. Os rendimentos dos Treasuries de dez anos estão em torno de 5,3%, próximos de níveis vistos pela última vez em 2002.
Os títulos globais acumulam perda de 3% neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg. Os Treasuries recuam 2,8% no mesmo período.
O mercado de Treasuries tem sido pressionado neste ano pelo aumento da apreensão dos investidores com o endividamento do governo e os riscos de inflação.
Preocupações semelhantes abalaram mercados de dívida soberana em outros países, com a França em particular se tornando um foco de tensão depois que os títulos de dez anos registraram o pior trimestre desde a criação do euro.
Dalio disse que a França “atingiu o limite de endividamento”, aumentando a preocupação dos investidores de que o mercado de dívida do país, já sob forte pressão, esteja diante de um momento decisivo.
Japão e China vendem títulos
Japão – maior detentor estrangeiro de Treasuries – e a China já vêm reduzindo as posições.
O Japão registrou queda de US$ 12,8 bilhões nas posições em Treasuries em julho, para US$ 1,1 trilhão. Naquele mês, autoridades japonesas atuaram para sustentar o iene.
Dados recentes do Ministério das Finanças do país indicaram que Tóquio provavelmente vendeu parte das posições em títulos estrangeiros para ajudar a financiar as intervenções no câmbio em defesa do iene.
Na China continental, o estoque oficial de Treasuries caiu de um pico de US$ 1,3 trilhão em 2013 para cerca de US$ 618 bilhões em julho, a terceira maior posição entre detentores estrangeiros.
Analistas de mercado, no entanto, afirmam que o número pode estar subestimado, já que as posições de outros países, como a Bélgica, provavelmente incluem contas de custódia chinesas. Os dados mais recentes mostram que as posições belgas em Treasuries somavam US$ 470,7 bilhões.
Dalio também falou sobre o aumento das pressões de financiamento para grandes empresas de tecnologia que investem em inteligência artificial. Isso significa que as chamadas hyperscalers começam a enfrentar dificuldades.
“Antes, elas captavam recursos por meio de ações e agora precisam recorrer à dívida”, disse ele, ao alertar que diversos fatores podem provocar o estouro da bolha de IA. “Algo como um imposto sobre grandes fortunas teria esse efeito, assim como a necessidade de pagar os empréstimos.”
