Segundo McCormack, a visão de Overton para o restaurante envolvia um estilo maximalista, que se estendia a toda a experiência do cliente: da aparência do estabelecimento às opções generosas do cardápio, passando pelo tamanho das porções e pela quantidade de calorias.
“Quando você olha para o cardápio e para o design, tudo é maior e mais grandioso. Por isso, tudo funciona muito bem em conjunto”, disse McCormack, que passou a trabalhar em tempo integral na empresa em 1995. “O cardápio e o design se complementam.”
A piada de Obama trouxe de volta antigas acusações de elitismo e levou Trump a defender a Cheesecake Factory, classificando-a como uma empresa “muito bem-sucedida”. Em resposta à repercussão negativa, o ex-presidente reafirmou seu apreço pela rede durante um comício na Geórgia, na quarta-feira.
“Sou pai de duas filhas. Vocês acham que eu teria sobrevivido à infância delas sem ir à Cheesecake Factory?”
Posicionada na faixa superior do segmento de restaurantes casuais, a Cheesecake Factory há muito tempo é considerada por muitos americanos um restaurante sofisticado, reservado para ocasiões especiais.
“Queríamos que os clientes ficassem agradavelmente surpresos ao entrar em um restaurante com aquela aparência e perceber que ainda assim podiam pagar para comer ali”, disse McCormack.
Essa impressão vem tanto dos tetos altos dos salões e da paleta de cores acolhedora quanto do cardápio, que oferece centenas de opções — sim, centenas — preparadas do zero.
O fato de a cozinha e o design conseguirem reunir tantos elementos que aparentemente não combinam é parte da magia do restaurante. É uma espécie de resumo abundante da própria cultura americana.
“Na época, havia um toque de exotismo nas colunas egípcias que criamos”, disse McCormack. “As paredes, revestidas manualmente com gesso e pintura decorativa que imitava outros materiais, davam um toque europeu ao ambiente. O piso de pedra calcária que usamos também contribuía para isso.”
Houve momentos em que Overton chegou a se preocupar que os dois estivessem “enfeitando demais algo que já estava bom”, admitiu McCormack. “Então, houve certa dose de contenção, acredite ou não.”
A Cheesecake Factory é como uma estrela-guia recheada dentro de um rolinho primavera. Não é exatamente descolada, mas continua sendo uma marca que desafia os padrões culturais tradicionais, seja ao combinar acabamentos e instalações sofisticados que parecem não ter relação entre si, seja ao servir hambúrgueres cobertos com bolinhos fritos de macarrão com queijo e molho cheddar.
“Como não estávamos tentando ser modernos, não seguíamos tendências nem tentávamos introduzir o estilo de design mais recente”, disse McCormack. “É claro que fizemos alguns ajustes ao longo dos anos, mas, de modo geral, a paleta de design é muito parecida com a que usávamos no fim dos anos 1990.”
A estética peculiar da marca não apenas tornou suas lojas menos suscetíveis às reformas caras que muitos restaurantes fazem para acompanhar as tendências de decoração. Ela também conquistou admiradores e inspirou imitadores.
“Várias pessoas já entraram em contato comigo para dizer o quanto gostam do design e que gostariam de poder pagar por algo parecido para suas joalherias ou casas”, disse McCormack.
Há alguns anos, McCormack chegou a ser procurado por um padre de Nova Jersey, que pediu ajuda para reformar sua igreja no estilo da Cheesecake Factory.
“Infelizmente, acho que o projeto nunca chegou a ser realizado”, afirmou.
Contato do autor: Adam Chandler — Adam.Chandler@wsj.com
Traduzido do inglês por InvestNews

