Economia

Australiana Lynas compra mineradora por R$ 3,5 bilhões e entra no mercado de terras raras do Brasil

A australiana Lynas Rare Earths fechou acordo para adquirir a Meteoric Resources em uma operação integralmente em ações avaliada em cerca de US$ 672 milhões (aproximadamente R$ 3,5 bilhões). Com o negócio, a Lynas terá acesso ao Projeto Caldeira, uma jazida de terras raras localizada em Caldas, no sul de Minas Gerais. A operação envolve...

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A australiana Lynas Rare Earths fechou acordo para adquirir a Meteoric Resources em uma operação integralmente em ações avaliada em cerca de US$ 672 milhões (aproximadamente R$ 3,5 bilhões). Com o negócio, a Lynas terá acesso ao Projeto Caldeira, uma jazida de terras raras localizada em Caldas, no sul de Minas Gerais.

A operação envolve a aquisição de 100% das ações da Meteoric. Pela proposta, os acionistas da empresa receberão 0,0207 ação da Lynas para cada ação da Meteoric. Após a conclusão do negócio, os atuais acionistas da Lynas ficarão com cerca de 94,1% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Meteoric terão os 5,9% restantes.

A Lynas é a maior produtora de terras raras fora da China. Esses minerais são usados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs permanentes empregados em equipamentos eletrônicos, veículos e sistemas militares. A China domina a mineração e, principalmente, o processamento desses materiais.

Controlada pela bilionária australiana Gina Rinehart, a Lynas atualmente extrai terras raras na Austrália e processa o material na Malásia. A aquisição da Meteoric amplia a presença da companhia para um terceiro país e diversifica sua base de recursos.

Gina Rinehart, bilionária australiana e acionista da Lynas Rare Earths. Foto: David Gray/Getty Images.

“Expandir nossas operações para um novo país ajudará a Lynas a manter sua posição de liderança na cadeia global de fornecimento de terras raras e atender ao aumento da demanda dos clientes por materiais de terras raras”, afirmou o presidente do conselho da Lynas, John Humphrey, em comunicado.

Segundo a companhia, o Brasil tem as maiores reservas de terras raras fora da China. A Lynas também afirmou que o país tem uma indústria de mineração estabelecida e um ambiente favorável ao desenvolvimento de projetos do setor.

Projeto Caldeira

O Projeto Caldeira fica em Minas Gerais, a cerca de 254 quilômetros de São Paulo e 350 quilômetros do Porto de Santos. O empreendimento teve seu estudo definitivo de viabilidade concluído em julho de 2026 e já recebeu a licença ambiental preliminar. A Meteoric busca obter a licença de instalação ainda neste ano.

O projeto tem recursos minerais estimados em 1,63 bilhão de toneladas, com concentração média de 2.317 partes por milhão de óxidos de terras raras (TREO). O tamanho da jazida é um dos principais atrativos para a Lynas, pois amplia a quantidade de terras raras disponível para a companhia e sustenta uma operação com vida útil estimada em 23 anos.

Do total estimado, 151,1 milhões de toneladas são classificadas como reservas minerais, ou seja, a parcela da jazida considerada aproveitável pelo projeto. O estudo prevê uma produção média de 12.500 toneladas de terras raras por ano. A estimativa de investimento para desenvolver o projeto é de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões), segundo o estudo de viabilidade.

O tipo de jazida também diferencia o projeto Caldeira do principal ativo da Lynas. Em Minas Gerais, as terras raras estão concentradas em argila iônica, um tipo de formação em que os minerais ficam presos às partículas de argila e podem ser extraídos por meio de processos químicos. Já o Mount Weld, na Austrália, é formado por rocha dura, que exige a fragmentação e o processamento do minério para separar as terras raras.

Para a Lynas, a aquisição acrescenta ao portfólio uma jazida com características diferentes das encontradas em sua operação atual na Austrália.

Com a aquisição, a Lynas amplia em 79% seus recursos minerais de terras raras e em 26% suas reservas minerais, considerando os dados combinados das duas empresas. O projeto Caldeira passa a representar 44% dos recursos minerais de terras raras e 21% das reservas da companhia combinada. Em contrapartida, os acionistas da Meteoric terão cerca de 5,9% da Lynas após a conclusão da operação.

Processamento no Brasil

Além da mineração, a operação abre espaço para que a Lynas estude a possibilidade de processar as terras raras no Brasil, em vez de enviar todo o material extraído para outras unidades. A companhia já opera uma cadeia que inclui a mina de Mount Weld, na Austrália, e instalações de processamento na Malásia. Segundo a empresa, serão feitos estudos para definir a melhor forma de processar o minério do projeto Caldeira.

As empresas afirmaram que já iniciaram conversas com representantes do governo brasileiro sobre a operação e o desenvolvimento do projeto.

O diálogo ocorre em meio à nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, criada pela Lei nº 15.506, de setembro de 2026. A legislação prevê medidas para estimular o processamento de minerais no país, incluindo incentivos fiscais e mecanismos de financiamento para projetos considerados estratégicos.

Segundo a apresentação das empresas, a nova política prevê até R$ 5 bilhões em créditos tributários para o processamento doméstico de minerais críticos e estratégicos. O BNDES também possui fundos que somam mais de R$ 50 bilhões voltados a projetos de minerais estratégicos.

A conclusão da operação ainda depende de condições regulatórias e societárias. Entre elas estão a aprovação dos acionistas da Meteoric, autorizações judiciais e regulatórias na Austrália e no Brasil e, dependendo da aplicação da nova legislação brasileira sobre minerais críticos e estratégicos, a aprovação prevista no novo regime.

O cronograma indicativo prevê o envio do documento da operação aos acionistas da Meteoric em dezembro de 2026, uma assembleia no fim de janeiro de 2027 e a conclusão do negócio no início de março de 2027. As datas ainda podem mudar, inclusive em razão da aplicação do novo regime brasileiro.



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Redação A Notícia 24H.